O sentimento de dependência do amar:

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Identificaremos dois aspectos de dependência na relação amorosa de uma pessoa com outra, preconizando desde logo, que ambas são extremamente prejudiciais. Atrevemo-nos a indicar que no primeiro caso, às mulheres constituem-se nas maiores vítimas e aqui não diferenciando segmentos ou classes sociais. Certamente há variações nas condições materiais/concretas de vida e nas representações mentais, não obstante a desventura que as acompanha, diríamos assim, consolida-se como uma sina cruel acompanhado-as todas, sem exceção.

Ao se unirem, abastadas ou não, as mulheres aspiram à realização dos sonhos, um esposo afável e compromissado, os filhos, enfim, a construção da família. Decorrendo os anos, em muitos casos vai arrefecendo a afetividade e os defeitos como que sorrateiros, sobressaem às qualidades transformado a convivência mais e mais insuportável.

Na riqueza cuidam indignadas em relevar a indiferença, as grosserias, o afastamento com desculpas evasivas, até mesmo as traições escancaradas e tudo por conta de manterem-se as aparências e além, o temor em serem espoliadas de bens quando da separação, porque desconfiadas supõem que os parceiros venham passar-lhes para trás. Normalmente fingem um casamento estruturado e feliz, mesmo conscientes de que o engodo não convence ninguém, além disso para que desmantelar uma realidade que se vive enquanto irrealidade, afinal fugir dos hábitos e costumes, desgarrar-se de um lugar comum não poderá significar a exclusão sumária do mundo vivido por seus pares, o status por exemplo? É de bom tom, um estilo e visão arraigados como algo inexorável nesta classe social “é fundamental sorrir mesmo que seu sorriso seja triste” (autor desconhecido).

Na pobreza igualmente as mulheres anseiam por uma família, entretanto a miséria por si já constitui um empecilho, a carência acaba em desespero, à baixa-estima e pior, acirram quase sempre negativamente os ânimos. A alma cuida de sentirmo-nos culpados pelas agruras cotidianas e ao mesmo tempo de atribuí-las enquanto responsabilidades alheias, especialmente dos que estão mais próximos, a família. Como destinos já previsíveis os homens embrenham-se nos vícios, passam a tratar mulher e filhos com truculência e desatinados implementam a barbárie quando extrapolam ao abusarem sexualmente das crianças e/ou jovens incautas. No entanto as parceiras, boa parte delas, fazem vistas grossas, posto que ainda conservam algum apego pelo agressor, misturando talvez amor e ódio e mais, receosas em denunciarem e/ou apressarem a separação e não terem como sobreviver, porquanto desqualificadas e desencorajadas para o trabalho.

No segundo caso as pessoas tornam-se fragilizadas em razão da intensidade do sentimento amoroso. Assim a dependência alarga-se de tal forma extremada, chegando mesmo ao cúmulo de anularem-se para servir aos interesses do outro e este esforço compulsivo em atender aos apelos da pessoa amada, cria diríamos assim…, uma espécie de fusão que pode incorrer na perda da própria identidade. Esta despessoalização normalmente determina um viver sob a sombra do companheiro (a), num apegar-se doentio objetivando evitar-se a dor, a solidão, à carência afetiva, em suma, o medo da perda e neste afastar-se de si mesmo, culmina por isolar-se de todos e de tudo quanto seja razoável – Eis aí o amor patológico. Nestas circunstâncias tais pessoas além de dependentes, sentem-se frágeis sem o companheiro (a), por conseqüência o controle de si mesmos só é assegurado através do controle do outro. Elas tentam desesperadamente resgatar a auto-estima buscando contribuir com os outros na resolução dos problemas, nem que para isso venham a comprometer a integridade e seus valores, precisamente pela dificuldade de simplesmente dizerem não.

Em geral a paixão patológica acaba prejudicando a capacidade de raciocínio das pessoas e por conta da baixa estima, por serem ansiosas, depressivas, enfim, dependentes emocionalmente do parceiro amoroso, tornam-se demasiadamente vulneráveis a relações perigosas, Ilustrando: àqueles pegos nas revistas policiais quando das visitas aos presos, com entorpecentes, celulares e outros objetos mais; aqueles que abandonam a família por aventuras incertas…, Emprestando a fala de um intelectual amigo: “Indivíduos com essa síndrome não dão ouvidos a amigos, familiares e qualquer outra pessoa que tenta alerta-las sobre o caráter do parceiro”. Quem não terá ouvido ao menos uma vez a expressão “amor bandido e seus correlatos”, onde mulheres e porque não incluir também homens, apóiam obstinadamente seus parceiros, mesmo quando à margem da lei. Intuem sinceramente o que é melhor para suas vidas, entretanto a compulsão obsessiva as domina a tal ponto que, “agradar sempre o outro é imprescindível, mesmo ao preço de esconderem-se de si mesmos. Diríamos assim… “O amor ganha status de droga pesada devido à imaturidade emocional”.

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